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13 maio 2013

Homilia de Bento XVI – Solenidade de Pentecostes – 27/05/2012


Queridos irmãos e irmãs!Estou feliz por celebrar convosco esta Santa Missa, animada hoje pelo Coral da Academia de Santa Cecília e pela Orquestra Jovem – aos quais agradeço -, na Solenidade de Pentecostes.
Este mistério constitui o batismo da Igreja, é um evento que a deu, por assim dizer, a forma inicial e o impulso para sua missão. E esta “forma” e este “impulso” são sempre válidos, sempre atuais, e se renovam, de modo particular, mediantes as ações litúrgicas. Esta manhã gostaria de abordar um aspecto essencial do mistério de Pentecostes, que em nossos dias conserva toda sua importância.
O Pentecostes é a festa da união, da compreensão e da comunhão humana. Todos nós podemos constar como em nosso mundo, mesmo se estamos sempre mais próximos uns dos outros com o desenvolvimento dos meios de comunicação, e as distancias geográficas parecem desaparecer, a compreensão e a comunhão entre as pessoas são sempre superficiais e difíceis. 
Persistem desequilíbrios que muitas vezes levam a conflitos; o diálogo entre as gerações torna-se difícil e às vezes prevalece a oposição; assistimos a acontecimentos cotidianos onde parece que os homens estão se tornando mais agressivos e mais irritados; a compreensão parece que requer muito empenho e prefere-se permanecer no próprio eu, nos próprios interesses. Nesta situação, podemos encontrar realmente e viver aquela unidade que precisamos? 
A narração de Pentecostes, nos Atos dos Apóstolos, que escutamos na primeira leitura (cfr At 2,1-11), contém no fundo um dos últimos grandes afrescos que encontramos no início do Antigo Testamento: a antiga história da construção da Torre de Babel (cfr Gen 11,1-9).
Mas o que é Babel? É a descrição de um reino no qual os homens concentraram tanto poder ao pensar que não deveriam mais fazer referência a um Deus distante e serem assim fortes para poder construir sozinhos um caminho que os levasse ao céu para abrir as portas e colocarem-se no lugar de Deus. 
Mas justamente nesta situação se verifica algo estranho e singular. Enquanto os homens trabalhavam juntos para construir a torre, de repente, eles perceberam que construíam um contra o outro. Enquanto tentavam ser como Deus, corriam o perigo de não serem mais nem mesmo homens, porque perderam um elemento fundamental no serem pessoas humanas: a capacidade de concordarem, de compreenderem-se e de trabalharem juntos.
Esta narração bíblica contém uma verdade perene; podemos ver ao longo da história, mas também no nosso mundo. Com o progresso das ciências e das técnicas encontramos o poder de dominar as forças da natureza, de manipular os elementos, de fabricar seres vivos, chegando quase ao próprio ser humano.

Nesta situação, rezar a Deus parece algo ultrapassado, inútil, porque nós mesmos podemos construir e realizar tudo aquilo que queremos. Mas não nos notamos que estamos revivendo a mesma experiência de Babel. É verdade, multiplicamos as possibilidades de comunicação, do acesso a informações, de transmissão de noticias, mas podemos dizer que cresceu a capacidade de compreensão ou talvez, paradoxalmente, nos compreendemos sempre menos? Entre os homens não parecem serpentear talvez um sentimento de desconfiança, suspeita, medo recíproco, até o ponto de se tornar perigo um para o outro? Voltamos novamente para a pergunta inicial: pode haver realmente unidade, harmonia? E como?

A resposta, nós encontramos na Sagrada Escritura: a unidade pode existir somente com o dom do Espírito de Deus, que nos dá um coração novo e uma nova língua, uma capacidade nova de comunicação. E isso é aquilo que se verificou em Pentecostes. Naquela manhã, cinquenta dias depois da Páscoa, um vento forte soprou sobre Jerusalém e a chama do Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos, pousou sobre cada um e acendeu neles aquele fogo divino, um fogo de amor capaz de transformar. O medo desapareceu, o coração sentiu uma nova força, as línguas se desfizeram e iniciaram a falar com franqueza, de modo que todos podiam compreender o anúncio de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Em Pentecostes, onde existia divisão e estranhamento, nasceu unidade e compreensão.

Mas observemos para o Evangelho de hoje, no qual Jesus afirma: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13). Aqui, Jesus, falando do Espírito Santo, nos explica o que é a Igreja e como essa deve viver para poder ser ela mesma, para ser o lugar da unidade e da comunhão da Verdade; diz-nos que agir como cristãos significa não ser fechados no próprio “eu”, mas orientar-se para todos; significa acolher em si mesmo toda a Igreja ou, ainda melhor, deixar interiormente que essa nos acolha.
Então, quanto falo, penso, ajo como cristão, não o faço fechando-me no meu eu, mas faço-o sempre no tudo e a partir de tudo: assim, o Espírito Santo, Espírito da unidade e da verdade, pode continuar a ressoar em nossos corações e nas mentes dos homens e impulsioná-los a se encontrarem e acolherem-se reciprocamente. O Espírito, justamente pelo falo que age assim, nos introduz em toda verdade, que é Jesus, nos guia para aprofundá-la, compreendê-la: nós não crescemos no conhecimento fechando-nos em nosso eu, mas somente tornando capazes de escutar e compartilhar, somente no “nós” da Igreja, com a atitude de profunda humildade interior.
E assim, torna mais claro porque Babel é Babel e Pentecostes é Pentecostes. Onde os homens querem fazer-se Deus, somente colocam-se uns contra os outros. Onde, em vez, colocam-se na verdade do Senhor, abrem-se para a ação do Espírito que os sustenta e os une.
A oposição entre Babel e Pentecostes também ecoou na segunda leitura, onde o Apóstolo diz: “Deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne” (Gal 5,16). São Paulo nos explica que a nossa vida pessoal é marcada por conflitos interiores, por uma divisão, entre os impulsos que provêm da carne e aqueles que provêm do Espírito; e nós não podemos seguir a todos. Não podemos, de fato, sermos contemporaneamente egoístas e generosos, seguir a tendência de dominar os outros e provar a alegria do serviço desinteressado.
Devemos sempre escolher aquele impulso e podemos fazer de modo autêntico, somente com a ajuda do Espírito de Cristo. São Paulo elenca – como vimos – as obras da carne, são os pecados do egoísmo e da violência, como inimizade, discórdia, inveja e ciúme; são pensamentos e ações que não fazem viver de modo verdadeiramente humano e cristão, no amor. É uma direção que leva a perda da própria vida. Em vez, o Espírito Santo nos guia para as alturas de Deus, para que possamos viver já nesta terra a semente da vida divina que está em nós.
Afirma, de fato, São Paulo: “O fruto do Espírito é a caridade, a alegria, a paz” (Gal 5,22). E notamos que o Apóstolo usa o plural para descrever as obras da carne, que provocam a dispersão do ser humano, enquanto usa o singular para definir a ação do Espírito, fala do “fruto”, justamente como a dispersão de Babel se contrapõe a unidade de Pentecostes.
Queridos amigos, devemos ser segundo o Espírito de unidade e verdade, e para isso devemos rezar para que o Espírito nos ilumine e nos guie para vencer o fascínio de seguir nossa verdade, e para acolher a verdade de Cristo transmitida na Igreja. 
A narração de Lucas do Pentecostes nos diz que Jesus antes de subir ao Céu pede aos Apóstolos que permanecem juntos para prepararem-se para receber o dom do Espírito Santo. E assim se reuniram em oração com Maria, no Cenáculo, a espera do evento prometido (cfr Ato 1,14). Recolhida com Maria, como em seu nascimento, a Igreja também nesse dia reza: “Veni Sancte Spiritus! – Vem, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor!” Amém.

08 março 2013

ORIGEM DO CERCO DE JERICÓ



          Tudo começou na Polônia, quando para obter uma vitória certa, alguns piedosos poloneses organizaram em seu país aquilo a que chamaram de Cerco de Jericó.
          O Santo Padre devia ir à Polônia a 8 de maio de 1979, para o 91º aniversário do martírio de santo Estanislau, Bispo de Cracóvia. Em fins de novembro de 1978, 7 (sete) semanas depois do Conclave que havia eleito João Paulo II, a Rainha Vitoriosa do Santo Rosário, Maria Santíssima deu uma mensagem precisa a uma alma privilegiada da Polônia, onde dizia: "Para a preparação da primeira peregrinação do Papa à sua Pátria, deve-se organizar na primeira semana de maio de 1979, em Jasna Gora, um Congresso do Rosário: 7 dias e 6 noites de rosários consecutivos, diante do Santíssimo Sacramento exposto".
          O Cerco de Jericó consiste num incessante "assalto" de rosários, durante 7 dias e 6 noites, rezados diante do SANTÍSSIMO SACRAMENTO exposto.
           Por que o Cerco de Jericó?
           No Antigo Testamento, depois da morte de Moisés, Deus escolheu Josué para conduzir o povo hebreu. Deus disse a Josué que atravessasse o rio Jordão com todo o povo e tomasse posse da Terra Prometida. Ora, a cidade de Jericó era uma fortaleza inexpugnável. Ao chegar junto às muralhas de Jericó, Josué ergueu os olhos e viu um anjo, com uma espada na mão, que lhe deu ordens concretas e detalhadas.
Josué e todo Israel executaram fielmente as ordens recebidas: durante 6 dias, os valentes guerreiros de Israel deram uma volta em torno da cidade. No 7º dia deram 7 voltas. Durante a 7ª volta, ao som da trombeta, todo o povo levantou um grande clamor e, pelo poder de Deus as muralhas de Jericó caíram...
No dia da Imaculada Conceição (8 de dezembro de 1978), Anatol Kazczuck, daí em diante promotor desses Cercos, apresentou a ordem da Rainha do Céu a Monsenhor Kraszewski, bispo auxiliar da Comissão Mariana do Episcopado.
Ele respondeu: ‘É bom rezar diante do Santíssimo Sacramento exposto; é bom rezar o terço pelo Papa; é bom rezar em Jasna Gora. Podeis fazê-lo.’
Anatol apresentou também a mensagem de Nossa Senhora a Monsenhor Stefano Barata, bispo de Czastochowa e presidente da Comissão Mariana do Episcopado. Ele alegrou-se com o projeto, mas aconselhou-os a não darem o nome ‘congresso’, para maior facilidade na sua organização.
          Como esse ‘assalto’ de rosários devia durar sete dias, e, tal como em Jericó, tinha-se certeza da vitória, deu-se-lhe o nome de Cerco de Jericó.
          O Padre diretor de Jasna Gora aprovou o projeto, mas não queria que se realizasse em maio por causa dos preparativos da visita do Santo Padre. Dizia ele: ‘seria melhor em abril’.
          ‘Mas a Rainha do Céu deu ordens para que se organizassem esses rosários permanentes na primeira semana de maio’, respondeu o Sr. Anatol.
          O Padre aceitou, recomendando-lhe que fossem evitadas perturbações.
          A Santíssima Virgem sabia bem que o Cerco de Jericó em maio não iria perturbar a visita do Papa, porque ele não viria. E, logo a seguir, as autoridades recusaram o visto de entrada no país ao Santo Padre, como tinham feito a Paulo VI em 1966. Consternação geral em toda a Polônia! O Papa não poderia visitar a sua Pátria.
           Foi, então, com redobrado fervor que se organizou o ‘assalto’ de rosários. E, no dia 7 de maio, ao mesmo tempo que terminava o Cerco, caíram ‘as muralhas de Jericó’. Um comunicado oficial anunciava que o Santo Padre visitaria a Polônia de 2 a 10 de junho.
Sabe-se como o povo polonês viveu esses nove dias com o Papa, o ‘seu’ Santo Padre, numa alegria indescritível!
           No dia 10 de junho, João Paulo II terminava a sua peregrinação, consagrando, com todo o Episcopado polonês, a nação polaca ao Coração Doloroso e Imaculado de Maria, diante de um milhão e quinhentos mil fiéis reunidos em Blonic Kraskokic. Foi a apoteose!
           Depois dessa estrondosa vitória, a Santíssima Virgem ordenou que se organizassem Cercos de Jericó todas as vezes que o Papa João Paulo II saísse em viagem apostólica.
           ‘O Rosário tem um poder de exorcismo’, dizem os nossos amigos da Polônia, ‘ele torna o demônio impotente’.
            Por ocasião do atentado contra o Papa, em 13 de maio de 1981, os poloneses lançaram de novo um formidável ‘assalto’ de rosários e obtiveram o seu inesperado restabelecimento. Mais uma vez, as muralhas de ódio de satanás se abatiam diante do poder da Ave-Maria.
           Em várias partes do mundo estão sendo realizados agora os Cercos de Jericó.
           A 2 de fevereiro de 1986, aquela mesma alma privilegiada recebia outra mensagem da Rainha Vitoriosa do Santíssimo Rosário: ‘Ide ao Canadá, aos Estados Unidos, à Inglaterra e à Alemanha para salvar o que ainda pode ser salvo’.
           Nossa Senhora não pede, mas ordena que se organizem os rosários permanentes e os Cercos de Jericó, se quizermos ter a certeza da Vitória.
 Orações de Poder II, pg. 104”
Por Júnior Filho 
Paz e Fogo!

14 junho 2012

Jesus Cristo, referência do nosso Projeto de Vida


Para entender bem o que é um projeto de vida é preciso entender a relação que temos com
Aquele que veio como um sopro de vida para nós, que rompeu as cadeias da morte em nossa
história, que nos comprou com um preço especial para a nossa completa libertação. Jesus é o
referencial do projeto de vida, pois só por Ele podemos conhecer o projeto de Deus que se une
aos projetos e podem se tornar realidade edificante.

Em primeiro lugar, Jesus é o referencial porque “Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas”
(Rm. 11, 36), sendo assim nossos projetos possuem fundamento divino, nossos sonhos estão
relacionados à grande ação de Deus em nosso meio.
Em segundo lugar, Jesus é centro porque Ele é a grande revelação de um projeto de vida
perfeito, construído pelo próprio Deus. No Evangelho de São Lucas (4, 18-19) vemos Jesus
entrar no templo e proclamar a profecia de Isaías a seu respeito e revelar sua missão. O
projeto de Jesus, em essência, era o anúncio e realização do Reino de Deus em nosso meio.
O importante para nós neste momento é compreender que Jesus possuía um objetivo muito
claro, propósitos realistas. Para que isso pudesse se tornar de fato uma realidade Ele fez o que
precisamos fazer com nossos sonhos, deu passos concretos. Veja que Jesus se ocupa em dar
condições do projeto se realizar com as seguintes atitudes: se deixou urgir pelo Espírito Santo
ao se submeter ao batismo no Jordão, depois se retirou em oração e fortificou o Espírito, e só
assim se dedicou a convidar as pessoas para formar, e por fim os enviou e missão.
Vimos, portanto, que Jesus tinha um projeto de vida muito bem definido para cumprir sua
missão. Isso lhe permitia fazer convites. Lembra do jovem rico, narrado no Evangelho de
Mateus 19? Após aproximar de Jesus, perguntou ao Mestre o que seria necessário para
alcançar a salvação. Prontamente Jesus retoma os mandamentos da Lei e ele orgulhosamente
diz que já os observa. Aí Jesus supera mais uma vez ao olhar além, enxerga o coração do jovem
e pede seu despojamento das suas seguranças, no caso dele a riqueza material. Jesus diz a ele
“segue-me”, mas segundo narra Mateus o jovem não seguiu Jesus, não se tornou discípulo,
saiu triste.
A proposta de Jesus continua sendo a mesma para nós: “segue-me”. Segundo João Paulo II,
este convite de Jesus significa “entra na plenitude do meu mistério”. Mistério que é triunfal,
belo, atraente, doloroso e custa, mas revela Deus. Precisamos passar por essa realidade de
conhecer Jesus, conhecer Deus e conhecer-se a si mesmo como chave do mistério.
Ter um Projeto Pessoal de Vida é se encarar na vida, olhar para Deus e colocar a sua confiança
nele, um exercício de fé, de esperança. Aí começa a chave para o sofrimento de muito jovens
neste tempo, o sofrimento por falta de respostas para as quais não se deixam fazer as
perguntas certas. Quantos jovens têm se questionado sobre o sentido do que fazem, do que
são e até o porquê da vida. É neste momento que entra o papel do nosso Projeto Pessoal de
Vida. Você tem um?
Se Jesus não se colocasse a caminhar os discípulos não viriam até a carpintaria, as multidões
não iriam lá. As boas intenções e sonhos necessitam de propósitos e disciplina de quem quer.
Segundo Dom Eduardo Pinheiro, em seu livro “Projeto Pessoal de Vida”, “os grandes
realizadores se distinguem por paixão, crença, compromisso, coragem e perseverança”. Isso
está no Projeto de Deus.
O Projeto de Deus
No capítulo 29 de Jeremias, no versículo 11, vimos palavras que nos remetem aos bons sonhos
de Deus em nós: “bem conheço os desígnios que mantenho para convosco, oráculo do Senhor,
desígnios de prosperidade e não de calamidade, de voz garantir um futuro e uma esperança”.

O trecho do profeta nos permite ver que Deus tem um projeto para nós. Não é determinismo,
Ele age em nossa liberdade. É importante entender que a intervenção de Deus é respeitosa e
gradativa, respeita a situação que nos encontramos, se faz presente em nosso cotidiano.
Há uma grande revelação de fé em quem espera, busca e está no caminho. Segundo o Papa
Bento XVI, em sua Carta Encíclica Spe Salvi – sobre a esperança cristã e a salvação, a “fé não é
acreditar por acreditar, é dar substância à vida, conteúdo, é uma relação necessariamente de
esperança”.
No primeiro capítulo deste documento o Papa relaciona a fé com a esperança ao analisar a
etimologia das palavras latinas e assim mostrar a relação entre estas duas necessidades nossas
enquanto cristãos. Esperança significa se lançar em um Projeto de Salvação que amplo,
dinâmico, desafiante, que dá sentido à caminhada do cristão.
Por deficiência de formação, há jovens que entendem mortificação pessoal (que deveria estar
no âmbito da pregação de São Paulo como a morte para o pecado, recusa da cultura de morte)
como privação da sua vida. O projeto de Deus rompe visões míopes de fé, conduz à certeza
daquilo que os olhos não viram e o coração confirma como verdade.
Um Projeto Pessoal de Vida
A juventude é a etapa da vida que mais apostamos, escolhemos e arriscamos.Tudo isso precisa
ser balizado por um Projeto Pessoal de Vida, nossa resposta ao Projeto/chamado de Deus.
“Não voz contenteis com nada menos que os mais altos ideais”, disse-nos certa vez João Paulo
II.
O projeto pessoal de vida (PPV) é o sonho com degraus certos, não é prever o futuro, mas
saber onde se quer chegar. É fruto de uma decisão pessoal, livre e consciente. Exige de nós
dois posicionamentos: afetivo (acreditar, desejar, amar); efetivo (construir, empenhar-se,
retomar, refazer).
É a garantia de felicidade, não felicidade no fim, mas no processo. Já se realiza enquanto
caminha.
O PPV integra os passos com o todo, como aponta D. Eduardo: desenvolve a vida por valores,
aproveita as oportunidades, ajuda no discernimento vocacional, aproveita melhor as
oportunidades, faz opções, rever os engajamentos e posicionamentos.
A realização/felicidade humana está no equilíbrio em cuidar dos sentimentos, relações, desejo,
corpo, pensamentos, espírito, etc.
Como deve ser construído
No livro Projeto Pessoal de Vida, vimos um caminho para construir de forma solidada no PPV.
Deve-se começar com silêncio, recolhimento e oração que permita ouvir a voz do senhor.
Neste momento é importante considerar três coisas importantes: o chamado/vocação, o
equilíbrio de um projeto pessoal e o projeto de Deus; a vida fraterna ao rever sempre sua
relação com a família, grupo, escola, trabalho, paróquia, ambientes de lazer; e a missão, como
me tenho empenhado para tornar a vida dos outros melhor. Este terceiro ponto revela algo
importante, que o PPV não é individualista, embora pessoal, nossos sonhos são de Deus
quando dão sentido à nossa vida e transforma as realidades em volta.

De forma prática, construir um PPV passa essencialmente por três etapas:
- descrever aonde se quer chegar, qual é meu ideal, meta, sonho. A partir do que Deus quer de
mim, no lugar onde me encontro e com a responsabilidade que tenho?
- descreva onde e como você se encontra hoje. É tomar consciência da sua realidade.
- descrever o que se deve fazer. Quais passos são necessários para realizar o meu ideal que
sonho?
É importante que você saiba que o sucesso do seu projeto não é o fim da linha, ele não acaba
aí. A partir da realização é preciso administrar bem e não acomodar. Possuir bens não é a
realização, é importante dar sentido ao que se tem.
Aquilo que a pessoa se torna ao longo da vida está relacionado a duas coisas: a oportunidades
que teve e às escolhas que fez.
Sentinelas da manhã, um lugar novo para nossa vida
O jovem sentinela da manhã tem um lugar estratégico e de Deus neste mundo, por isso saber
o que se quer, aonde quer chegar e o que é preciso fazer para isso se torna primordial para
quem quer escutar a voz de Deus e dar uma resposta concreta.
Denunciamos o relativismo, a fragmentação da vida, dispersão, crises de valores, idolatria do
imediato, mas sobre a luz de Cristo superamos e apontamos caminhos: o projeto pessoal de
vida. Com isso superemos as teologias da prosperidade, do sucesso em troca da fé, temos
prazer na caminhada.
“Ontem foi embora. Amanhã ainda não veio. Temos somente hoje, comecemos.” (Madre
Tereza de Calcutá)
Wiliam de Paula, coordenador do Ministério Jovem da RCC em Minas Gerais.
*Pregação no Encontro Regional de Jovens da região Sudeste 2011, em Barueri/SP
(13/11/2011).


Paz e Fogo!
Júnior Filho

05 junho 2012

O que é um Jovem Sentinela da Manhã?



O que é uma Sentinela?
Sentinela é um soldado armado que se coloca o próximo de um posto para o guardar.
O Papa João Paulo II  virou referência para nós jovens, na qual deixou Uma herança um legado, foi um dos homens mais extraordinários da história da igreja,
mas a sua identificação com a juventude é algo indescritível.
 Amados Jovens, é o vosso turno de ser as Sentinelas da Manhã
(Is 21, 11-12) que anunciam a chegada do sol que é Cristo Ressuscitado”
João Paulo II Mensagem para a XVII Jornada Mundial da Juventude , Castelgandolfo, 25 de Julho de 2001 (Nós anunciamos Cristo Ressuscitado)

25 maio 2012

8º Dia- A efusão do Espírito Santo


Leitura Bíblica
Leitura da Carta de Paulo aos Gálatas, capítulo 5, versículos de 16 a 23.

Reflexão Catequética

Por sua Páscoa, Jesus Cristo redimiu todo o gênero humano. Por Ele, todos os homens têm acesso à salvação. É fundamental, porém, que todos e cada homem - já salvos - assumam, explícita e pessoalmente, essa salvação. O mistério da salvação oferecido gratuitamente por Deus precisa ser aceito livremente por cada um de nós, como opção pessoal, em uma atitude de obediência de fé. “ Para que se preste essa fé, exigem-se gravação prévia e adjuvante de Deus e os auxílios internos do Espírito Santo, que move o coração e converte-o a Deus, abre os olhos da mente e dá ‘a todos suavidade no consentir e crer na verdade’. A fim de tornar sempre mais profunda a compreensão da Revelação, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa continuamente a fé por meio de Seus dons” (Constituição Dogmática Dei Verbum, n. 5). Ou seja, não se avança na percepção progressiva do mistério da salvação realizada por Jesus Cristo sem se deixar habitar em plenitude pelo Espírito Santo, sem experimentar continuamente de sua efusão admiravelmente manifestada, derramada, dada e comunicada em Pentecostes (cf. Catec; n. 731), mas prometida para estar conosco eternamente. “Tendo entrado uma vez por todas no santuário do céu, Jesus Cristo intercede sem cessar por nós como mediador que nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo.” (Catec., n. 667).

O Espírito não cessa, pois, de levar continuamente as pessoas à experiência do Cristo vivo e ressuscitado, por meio de sua efusão. Crentes, descrentes, batizados só de nome, praticantes, santos e pecadores, são visitados por essa graça pascal (v. Catec., n.731), e dão um salto qualitativo na fé, que vai de um não conhecimento, de um conhecimento insuficiente, de um  conhecimento estribado na cultura e na razão, apenas, a um conhecimento experiencial, que aguça a fé e sacia a sede e que envolve todo nosso ser e proporciona a todos uma progressiva tomada de consciência a respeito do real significado dos sacramentos da iniciação cristã, do que  significa ser cristão, ser salvo, ser Igreja... E não precisamos ficar esperando que, aleatoriamente, uma hora aconteça conosco. Ou, se já aconteceu, achar que foi o suficiente. Jesus nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo, como vimos. Quem tiver sede, vá a Ele e beba (Jo 7, 37-39), mais e mais. Se o nosso pecado, se a nossa tibieza, se a nossa pequena fé nos esmorecem, enchamo-nos do Espírito (cf. Ef 5, 12)! Agora isso é possível. É possível oferecermos ao Espírito mais e mais espaço em nossa vida para que Ele a replene com sua plenitude. Ele, que já está em nós, pode manifestar-se, aqui e agora, segundo a Sua vontade e nossa abertura à Sua ação...

É até quando vamos ter necessidade da Efusão do Espírito? Até atingirmos a santidade!!! Isso mesmo, pois, “... se o batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus mediante a inserção em Cristo e a habitação de seu Espírito, seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial. Perguntar a um catecúmeno: ‘Queres receber o Batismo?’ significa ao mesmo tempo pedir-lhe: ‘Queres fazer-te santo?’ (Novo Millennio Ineunte, 31). Em março de 2002, falando aos membros de uma delegação da “Renovação no Espírito Santo”, na Itália, o papa João Paulo II afirmou: “A Igreja e o mundo têm necessidade de santos, e nós somos tanto mais santos quanto mais deixamos que o Espírito Santo nos configure com Cristo.” Eis o segredo da experiência regeneradora da ‘efusão do Espírito’, experiência típica que caracteriza o caminho de crescimento proposto pelos menbros dos vossos Grupos e das vossas Comunidades” (L’Osservatore Romano, 30/03/2002). E mais recentemente - 23 de maio de 2004 -, aos convidar os Movimentos Apostólicos a participar da Vigília de Pentecostes, dava o motivo de seu convite: “...para invocar sobre nós e sobre toda a Igreja uma abundante efusão dos sons do Espírito Santo”...

Que tal manifestarmos a Deus, hoje - quem sabe pela primeira vez, ou, talvez, uma vez mais - a nossa sede e a nossa vontade de receber mais e mais da efusão do Espírito? Associemo-nos a Maria – “aquela que, embora já tendo experimentado a plenitude do Espírito na encarnação do Verbo (gratia plena), obedeceu à instrução do Filho e também colocou-se à espera do cumprimento da promessa do dom do Espírito”. “E todos ficaram cheios do Espírito...” (cf. At 2,4). Peçamos, com João Paulo II, a intercessão dela: “ Ó Virgem Santíssima, mãe de Cristo e da Igreja [...] Tu que estivestes no Cenáculo com os apóstolos em oração, à espera da vinda do Espírito de Pentecostes, invoca a Sua renovada efusão sobre todos os fiéis leigos, homens e mulheres, para que correspondam plenamente à sua vocação e missão, como ramos da ‘verdadeira videira’, chamados a dar ‘muitos frutos’ para a vida do mundo” (Christifideles Laici, n. 64).

Paz e Fogo!
Júnior Filho

24 maio 2012

7º Dia- Sereis Batizados no Espírito Santo


Na celebração da vigília de Pentecostes de 2004, em Roma, o Papa João Paulo II afirmou em seu discurso: “Desejo que a espiritualidade de Pentecostes se difunda na Igreja como um renovado salto de oração, de santidade, de comunhão e de anúncio” (29/05/2004).

Ora, o elemento central de toda a espiritualidade de Pentecostes não é um devocional, um rito litúrgico ou uma novena de orações, simplesmente. Aquilo de mais significativo que a espiritualidade de Pentecostes - mormente em conseqüência da reflexão emanada do Concílio Vaticano II a respeito da Pessoa e do operar do Espírito Santo - tem resgatado e oferecido à Igreja é uma experiência: a experiência do chamado “Batismo no Espírito Santo”...

“Entre os católicos da Renovação a frase ‘batismo no Espírito Santo’ se refere a dois sentidos ou momentos. O primeiro é propriamente teológico. Nesse sentido, todo menbro da Igreja é batizado no Espírito Santo pelo fato de ter recebido os sacramentos da iniciação Cristã. O segundo é de ordem experiencial e se refere ao momento ou processo de crescimento pelo qual a presença ativa do Espírito, recebido na iniciação, se torna sensível à consciência da pessoa. Quando se fala, na renovação católica, do batismo no Espírio Santo, recebido na iniciação, se torna sensível à consciência da pessoa. Quando se fala, na renovação católica, do batismo no Espírito Santo, geralmente se refere a essa experiência consciente que é o sentido experiencial.” (Documento de Malines, Orientações Teológicas e Pastorais da RCC, Cardeal Suenens e outros). Para Dom Paul Josef Cordes - atual presidente do Pontifício Conselho Cor Unum (das obras de misericórdia) - , “o batismo no Espírito Santo” é experiência concreta da “graça de Pentecostes” na qual a ação do Espírito Santo torna-se realidade experimentada na vida do indivíduo e da comunidade de fé. O “derramamento do Espírito Santo” é introdução decisiva a uma renovada percepção e a um novo entendimento da presença e da ação de Deus na vida pessoal e no mundo. É, em suma, a redescoberta experiencial, na fé, de que Jesus é Senhor pelo poder do Espírito para a glória do Pai. Enraizado na graça batismal, o “batismo no Espírito” é essencialmente a experiência da renovada comunhão com as pessoas divinas. É abertura e manifestação da vida trinitária nos que foram batizados [...] Com demasiada freqüência, indivíduos batizados não tiveram um encontro genuíno com o Senhor; “muitas vezes não se verificou a primeira evangelização” e ainda não há “adesão explícita e pessoal a Jesus Cristo” (Catechese Tradendae 19). Segundo ainda Dom Paul Cordes, a expressão  “batismo no Espírito” pode ser usada em muitos sentidos. Aqui, “batismo no Espírito Santo” é usada com respeito à experiência de receber o Espírito Santo com a vida de graça, juntamente com a recepção dos carismas, como parte integrante da iniciação cristã, ou como reapropriação ou inspiração mais tardia em um contexto não-sacramental do que já foi recebido na iniciação (op.cit; p.28). Como se vê, há de se entender aqui a palavra “batismo”, no seu sentido primário, não sacramental, que se refere  ao ato de mergulhar, imergir alguma coisa ou alguém em uma outra realidade (no nosso caso, um “inundar-se” no mistério da efusão do Espírito dispensado pelo Pai por intermédio de Jesus, em Pentecostes, que foi “derramado” conforme a promessa (cf. At 2,16-21). Também se recorre com freqüência ao termo efusão do Espírito ou, ainda, “derramamento do Espírito”, e mesmo “um liberar do Espírito Santo”, querendo-se, sempre, referir-se àquela experiência que nos leva a abrirmo-nos mais à realidade da Trindade de Deus em nós, com uma crescente consciência a respeito do significado dos sacramentos da iniciação cristã, nos batizados sacramentalmente. Essa  especial e profunda “percepção” – definida, perceptível, envolvente - do relacionamento pessoal com Jesus Cristo que essa experiência proporciona não faz parte de nenhum movimento em particular - em caráter exclusivo - mas é patrimônio da Igreja, que celebra os sacramentos da iniciação e por quem recebemos o Espírito Santo.

Antes de entender e elaborar uma teologia a respeito do Espírito Santo, os apóstolos tiveram uma experiência com Ele. Ainda que, a princípio, não entendêssemos tudo o que pode significar, os frutos desse chamado batismo no Espírito deveriam, por si sós, motivar-nos a querê-lo, a desejá-lo- e com muita sede - para a nossa vida de fé. Alguns dos frutos que se percebem na vida dos que buscam e experimentam essa graça são:


·                    Conversão interior radical e transformação profunda da vida;
·                    Luz poderosa para compreender melhor mistério de Deus e seu plano de salvação;
·                    Novo compromisso pessoal com Cristo;
·                    Gosto pela oração pessoal e comunitária;
·                    Amor ardente à Palavra de Deus na Escritura;
·                    Busca viva dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia;
·                    Amor verdadeiro e autêntico à Igreja e às suas instituições;
·                    Descobrimento de uma verdadeira opção preferencial pelos pobres;
·                    Entrega generosa ao serviço dos irmãos, na fé.
·                    Força divina para dar testemunho de Jesus em todas as partes;

Paz e Fogo!
Júnior Filho

6º Dia- Espírito Santo, dom de Deus


Dizia o Evangelho de João, na leitura que vimos em nosso encontro anterior (Jo 7, 37-9), que o “Espírito ainda não tinha sido dado porque Jesus não tinha ainda sido glorificado.

Depois da catequese sobre o Espírito Santo - também já vista por nós (capítulos 14, 15 e 16 de São João) - , Jesus se dirige ao Pai em oração e pede que seja removida essa barreira: “Pai, é chegada a hora: glorifica o teu Filho, para que o teu Filho possa glorificar-te...” (Jo 17, 1). E nós sabemos em que consiste a glorificação de Jesus, descrita nos capítulos seguintes (18 e 19): prisão, julgamento, paixão, morte e ressurreição!

Após esses fatos (capítulo 20), naquele que é considerado o “Pentecostes apostólico”, já vemos os efeitos da glorificação de Jesus: embora as portas estivessem fechadas, Jesus aparece no meio deles, mostra-lhes suas chagas gloriosas, deseja-lhes a paz, sopra sobre eles (retomando uma imagem do Espírito muito conhecida deles,o ruah) e diz: “Recebam o Espírito Santo!  ( Jo 20, 19-21). Como a dizer: “Sim, recebam-no; agora Ele pode ser dado (como Eu vos disse!), agora Ele é dom para vocês...”

Na outra descrição de Pentecostes registrada por Lucas (Atos 1 e 2), temos outras evidências do novo modo de o Espírito Santo estar presente. Jesus, já ressuscitado e prestes a ascender aos céus (glorificado, portanto), instrui os apóstolos a aguardarem em Jerusalém, pois agora iria se cumprir-se a promessa do Pai. “Vocês vão receber o poder do Espírito Santo, que virá até vós” (cf. At 1,8), dizia.

Na seqüência, acontece o prometido. Os apóstolos, com Maria e algumas outras mulheres, estavam em oração no Cenáculo quando um vento impetuoso tomou conta do lugar, e umas como que línguas de fogo pousaram sobre eles, que logo começaram a se expressar com manifestações carismáticas, “falando em diferentes línguas conforme o Espírito lhes concedia que falassem.” E sendo entendidos por “pessoas de diferentes línguas e nações” (cf. Atos 1,12- 14, Atos 2, 1ss).

Quando o povo, atônito com aquela manifestação espiritual, pergunta a Pedro o que fazer, ele diz: “Arrependam-se, sejam batizados em nome de Jesus para o perdão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo; pois a promessa que foi feita a respeito dele é para vós, para vossos filhos e para todos aqueles que estão distantes, e que Deus está chamando a  Ele,” (cf. Atos 2, 37-39)

Cumpriu-se a promessa. Com Jesus glorificado, o Espírito é dado para todos os que ouvem o chamado do Senhor nosso Deus. O Pai e o Filho - como doadores - se doam a nós na Pessoa do Espírito Santo. Ele é uma Pessoa-dom, para nós de agora em diante. Inicia-se aí, em Pentecostes, uma possibilidade de relacionamento com Deus, no Espírito Santo, como nunca fora possível antes. Privilégio dos tempos messiânicos, privilégio nosso.

Agora o Espírito se doa a todos, vem para estar em nós (“Acaso não sabeis que sois templo do Espírito?”, cf. 1Cor 3, 16), vem para estar “eternamente conosco” (cf. Jo 14, 16), como Pessoa divina ( e não como uma coisa!), de modo não apenas natural mas, pela graça dos sacramentos, de um modo que supera admiravelmente a nossa natureza humana (cf. 1Cor 2, 4-5.10-14). E nosso Catecismo da Igreja Católica nos confirma: “O Espírito Santo está em ação com o Pai e o Filho do inicio até a consumação do Projeto da nossa Salvação. Mas é nos ‘últimos tempos’, inaugurados pela Encarnação redentora do Filho, que Ele é revelado e dado, reconhecido e acolhido como Pessoa.” (n.686). Buscar, pois, ter para com a Pessoa Divina do Espírito Santo um relacionamento pessoal íntimo, é corresponder aos dom (ao presente) que Deus faz de Si mesmo, a nós, em Pentecostes. Há como recusar isso?!

Paz e Fogo!
Júnior Filho

22 maio 2012

5º dia- A Catequese de Jesus sobre o Espírito Santo


Leitura Bíblica
Leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo João, cap. 14, versículos de 12 a 17.



Jesus Cristo é o portador definitivo das boas novas da Revelação. Anuncia-nos com autoridade que Deus é Pai, que Ele e o Pai são um e que o Espírito Santo é o “outro Paráclito” que haveria de vir para dar testemunho dele.

Nos capítulos 14, 15 e 16 do Evangelho de São João, especialmente, Jesus expõe aos seus discípulos uma nova e esclarecedora catequese sobre o Espírito Santo. Refere-se a Ele, pela primeira vez, como a alguém, como a uma Pessoa. Explica-nos o novo modo como essa Pessoa Divina estará em nosso meio, e qual a essência de sua missão: estará conosco eternamente; e não só conosco, mas em nós (Jo 4, 15-17); ensinar-nos-á todas as coisas e nos recordará tudo o que Jesus nos disse (Jo 14,26); dará testemunho, não de Si mesmo, mas de Jesus (Jo 15,26); e que - era verdade-convinha a nós que Ele (Jesus) voltasse para o Pai, porque, assim,  o Espírito viria para estar conosco e nos convenceria a respeito do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16, 7-8); e que Ele nos conduziria à completa verdade, pois não falaria de Si mesmo, mas tomaria daquilo que ouvira do próprio Cristo, e o glorificaria! (Jo 16, 13-14).

Antes de sua ascensão, Jesus ainda nos fará outras revelações a respeito da Pessoa do Espírito Santo. Mas, daquilo que já disse até aqui, podemos compreender com mais clareza que:

a - O Espírito Santo é uma Pessoa; misteriosa, divina, mas uma Pessoa;

b - é necessária a Sua vinda para a continuação da obra da salvação iniciada por Jesus, sobre quem Ele testemunhará;

c - não estará mais apenas conosco, mas em nós;

d - e não por pouco tempo, mas eternamente;

e- por Ele teremos acesso à verdade sobre o Cristo, de quem Ele recordará eternamente as palavras e os feitos...


Além dessas novidades apontadas por Jesus a respeito do novo modo de O Espírito Santo estar presente entre nós após a sua partida, temos um outro elemento que é de fato fundamental para o entendimento do significado de Pentecostes. E um dos textos-chave para esse entendimento é o que nos oferece o Evangelho de João no seu capítulo 7, versículos de 37 a 39, quando diz: “No último dia, que é o principal dia de festa, estava Jesus de pé e clamava: ‘Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva’ (Zc 14, 8; Is 58, 11). Dizia isso, referindo-se aos que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado.”


Paz e Fogo!
Júnior Filho

4º Dia- O Espírito da Promessa no Antigo Testamento


Leitura Bíblica
Leitura do Livro do Profeta Ezequiel, capítulo 36, versículos de 24 a 28



É da maior importância para a nossa abertura à Pessoa do Espírito Santo compreendermos adequadamente - tanto quanto nos permite a Revelação e a nossa capacidade de interpretá-la - o significado central daquilo que aconteceu no histórico evento de Pentecostes.

Pentecostes não é, simplesmente, “a vinda do Espírito Santo”, como comumente costuma-se afirmar. O Espírito Santo - Pessoa divina que é - sempre esteve presente na história da humanidade, não sendo pois correto crer que Ele só tenha vindo atuar em nosso meio depois de Pentecostes.

De fato, já no segundo versículo da Bíblia (Gn 1,2), encontramos a expressão: “... O Espírito pairava sobre as águas...”. E ela nos ensina ainda, por exemplo, que Ele desceu sobre Enoque, Abraão, Isaque e Jacó; que o Faraó compreendera que José possuía o Espírito de Deus; que os milagres de Moisés eram operados por Sua virtude; que atuou em Otoniel, Gedeão, Débora, e Sansão; que Samuel e Davi profetizavam pelo Espírito Santo; que Azarias e Oziel o possuíam. E Isaías (63, 11-12) aduz: “Onde habita aquele que enviou no meio deles o Espírito Santo, guiando Moisés pela destra? Desceu o Espírito do Senhor e foi o guia do seu povo...”

Outras passagens da Sagrada Escritura confirmam esta presença e este operar do Espírito Santo nos tempos descritos pelo Antigo Testamento. Do conjunto dessas afirmações, podemos caracterizar em certo sentido o modo como  o Espírito Santo estava presente e operava na história da salvação, antes de Pentecostes (porque, depois, seria diferente!). Podemos dizer que:

a)                 O Espírito Santo se manifestava ( ou “se apossava de”, ou “agia em”...) apenas em algumas pessoas, escolhidas por Deus com vistas a algum propósito de Sua parte (alguns reis, profetas, juízes, ou sacerdotes).
b)                O Espírito se manifestava na vida dessas pessoas por um determinado tempo, apenas; cessada a “missão”, a “tarefa” ou o “propósito”, cessava a aparente manifestação; Ele ainda não “habitava” o ser humano como hoje nos é possível;
c)                 A presença do Espírito na vida de todas as pessoas era uma presença considerada do tipo “natural”, ou imanente, a sustentar e garantir nelas a vida - do que Ele é Senhor e Fonte! Não era ainda uma presença do tipo “sobrenatural” - além da natureza humana -, uma presença pela graça, como nos é possível hoje por um intermédio dos Sacramentos.
d)                Não se tinha a consciência - a revelação - que temos hoje a respeito do Espírito Santo. Percebiam-No mais como uma “força divina”, e não como a presença e a ação de uma Pessoa Divina, da Trindade.

Algumas promessas, porém, da parte de Deus pela boca de seus profetas (e depois, pela boca do próprio Jesus) nos davam conta de que, para os tempos messiânicos -  ou seja, depois da vinda do Filho-, a presença e o operar do Espírito seriam diferentes. Por exemplo, pela boca do profeta Joel, Deus nos anunciava: “Depois disso acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo o ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, derramarei também o meu espírito sobre os escravos e as escravas.” (Jl 3,1-2; ver também Ez 36, 25-27, Is 44,3).

Pentecostes é a realização dessas promessas a respeito do Espírito. E a nós, a quem coube viver nesses tempos em que Pentecostes já é uma realidade, é dada a possibilidade de desfrutar os privilégios que o novo modo do Espírito Santo estar presente e agir veio nos trazer, como veremos nos próximos encontros...

Paz e Fogo!
Júnior filho

3º Dia - O Espírito Santo é uma Pessoa


Leitura Bíblica
Leitura do livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 13, versículos de 01 a 04.



Como já vimos, Deus é sempre um mistério. E, das três Pessoas, o Espírito Santo parece ser a mais misteriosa de todas. É o “Deus sem face” (ao contrário do Filho que assumiu a nossa natureza humana) o “Deus sem referência humana” (ao contrário da Primeira Pessoa, a quem chamamos por um nome que nos é bastante comum: Pai!)... Para referir-se a Ele, as Sagradas Escrituras lançam mão de símbolos, tais como: Água, Unção, Fogo, Nuvem, Luz, Selo, Mão, Dedo e Pomba (Catec. N 694 a 701). E quando questionados a respeito de quem é o Espírito Santo, comumente também respondemos com conceitos totalmente impessoais, ou abstratos, como: “Ele é o amor, a consolação, a luz, a força, a esperança, o revelador...”
 
Na realidade, Deus é, na sua natureza, amor (cf.1 Jo 4,16). Por conseguinte, dom, vida incessantemente doada. Enquanto fonte permanente desse dom, Deus é Pai. Enquanto expressão e receptor desse dom, Deus é Filho. Enquanto dom mesmo, ele é o Espírito. “Uma só essência, uma substância ou natureza, mas três pessoas”, nos ensina o Concílio de Latrão. E, de fato, aprendemos todos – e desde cedo - que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Mas em que sentido? Como é que alguém que eu não vejo, não toco, e que é “espírito”, pode ser uma pessoa?...

Ainda que limitados pelo curto alcance dos conceitos humanos, podemos ser auxiliados nessa “compreensão” quando associamos a palavra pessoa (persona) ao conceito de personalidade. O Espírito Santo traz em si todos os atributos de uma personalidade. Ele tem intenção (Rm 8,27), tem conhecimento (1 Cor 2,10-11), tem vontade própria (1 Cor 12,11) experimenta emoções (Ef 4,30). Ele se relaciona e age como somente uma pessoa poderia fazê-lo: Ele fala (At. 1,16), ora (Rom 8,26-27), ensina (Jô 14, 26) opera milagres (At 2, 4 ; 8, 39) ordena (At 8, 29; 10,19-20; 11,12; 13,2) proíbe (At 16, 6-7), guia as pessoas (Rom 8,14) e consola a Igreja (At 9,31) - entre outras tantas ações...

A consciência de que o Espírito Santo é uma pessoa deve gerar em nós um impacto que interpele a nossa vida: se o Espírito Santo é uma Pessoa, nós precisamos aprender a ter com Ele um relacionamento pessoal - isto é, de pessoa para Pessoa. Ele não pode continuar sendo para nós apenas um dado teológico, doutrinário, mas... uma Pessoa, amiga! Uma Pessoa com quem posso partilhar minhas dificuldades, minhas vitórias, meus fracassos, minhas alegrias...

A propósito, você já entabulou uma conversa com o  Espírito Santo, hoje? Já lhe disse, por exemplo, “Bom Dia Espírito Santo?”. Afinal, Ele é também o nosso Advogado, o nosso Consolador e Aquele que nos dá força...


Paz e Fogo!
Júnior Filho