Leitura Bíblica
Leitura do Livro do Profeta Ezequiel,
capítulo 36, versículos de 24 a 28
É da maior importância para a nossa abertura à Pessoa do Espírito Santo compreendermos adequadamente - tanto quanto nos permite a Revelação e a nossa capacidade de interpretá-la - o significado central daquilo que aconteceu no histórico evento de Pentecostes.
Pentecostes não é, simplesmente, “a vinda
do Espírito Santo”, como comumente costuma-se afirmar. O Espírito Santo -
Pessoa divina que é - sempre esteve presente na história da humanidade,
não sendo pois correto crer que Ele só tenha vindo atuar em nosso meio
depois de Pentecostes.
De fato, já no segundo versículo da Bíblia
(Gn 1,2), encontramos a expressão: “... O Espírito pairava sobre as águas...”.
E ela nos ensina ainda, por exemplo, que Ele desceu sobre Enoque, Abraão,
Isaque e Jacó; que o Faraó compreendera que José possuía o Espírito de Deus;
que os milagres de Moisés eram operados por Sua virtude; que atuou em Otoniel,
Gedeão, Débora, e Sansão; que Samuel e Davi profetizavam pelo Espírito Santo;
que Azarias e Oziel o possuíam. E Isaías (63, 11-12) aduz: “Onde habita aquele
que enviou no meio deles o Espírito Santo, guiando Moisés pela destra? Desceu o
Espírito do Senhor e foi o guia do seu povo...”
Outras passagens da Sagrada Escritura
confirmam esta presença e este operar do Espírito Santo nos tempos descritos
pelo Antigo Testamento. Do conjunto dessas afirmações, podemos caracterizar em
certo sentido o modo como o Espírito Santo estava presente e
operava na história da salvação, antes de Pentecostes (porque, depois,
seria diferente!). Podemos dizer que:
a)
O Espírito Santo se manifestava ( ou “se
apossava de”, ou “agia em”...) apenas em algumas pessoas, escolhidas por
Deus com vistas a algum propósito de Sua parte (alguns reis, profetas, juízes,
ou sacerdotes).
b)
O Espírito se manifestava na vida
dessas pessoas por um determinado tempo, apenas; cessada a “missão”, a
“tarefa” ou o “propósito”, cessava a aparente manifestação; Ele ainda
não “habitava” o ser humano como hoje nos é possível;
c)
A presença do Espírito na vida de todas
as pessoas era uma presença considerada do tipo “natural”, ou imanente,
a sustentar e garantir nelas a vida - do que Ele é Senhor e Fonte! Não era
ainda uma presença do tipo “sobrenatural” - além da natureza humana -, uma
presença pela graça, como nos é possível hoje por um intermédio dos
Sacramentos.
d)
Não se tinha a consciência - a revelação -
que temos hoje a respeito do Espírito Santo. Percebiam-No mais como uma “força
divina”, e não como a presença e a ação de uma Pessoa Divina, da
Trindade.
Algumas promessas, porém, da parte de Deus
pela boca de seus profetas (e depois, pela boca do próprio Jesus) nos davam
conta de que, para os tempos messiânicos - ou seja, depois da
vinda do Filho-, a presença e o operar do Espírito seriam diferentes. Por
exemplo, pela boca do profeta Joel, Deus nos anunciava: “Depois disso
acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo o ser vivo: vossos filhos e
vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão
visões. Naqueles dias, derramarei também o meu espírito sobre os escravos e as
escravas.” (Jl 3,1-2; ver também Ez 36, 25-27, Is 44,3).
Pentecostes é a realização dessas promessas
a respeito do Espírito. E a nós, a quem coube viver nesses tempos em que
Pentecostes já é uma realidade, é dada a possibilidade de desfrutar os
privilégios que o novo modo do Espírito Santo estar presente e agir veio nos
trazer, como veremos nos próximos encontros...
Paz e Fogo!
Júnior filho
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