Dizia o Evangelho de João, na leitura que
vimos em nosso encontro anterior (Jo 7, 37-9), que o “Espírito ainda não tinha
sido dado porque Jesus não tinha ainda sido glorificado.”

Após esses fatos (capítulo 20), naquele que
é considerado o “Pentecostes apostólico”, já vemos os efeitos da glorificação
de Jesus: embora as portas estivessem fechadas, Jesus aparece no meio deles,
mostra-lhes suas chagas gloriosas, deseja-lhes a paz, sopra sobre eles
(retomando uma imagem do Espírito muito conhecida deles,o ruah) e diz:
“Recebam o Espírito Santo! ( Jo 20, 19-21). Como a dizer: “Sim,
recebam-no; agora Ele pode ser dado (como Eu vos disse!), agora Ele
é dom para vocês...”
Na outra descrição de Pentecostes
registrada por Lucas (Atos 1 e 2), temos outras evidências do novo modo de o
Espírito Santo estar presente. Jesus, já ressuscitado e prestes a ascender aos
céus (glorificado, portanto), instrui os apóstolos a aguardarem em Jerusalém,
pois agora iria se cumprir-se a promessa do Pai. “Vocês vão receber o
poder do Espírito Santo, que virá até vós” (cf. At 1,8), dizia.
Na seqüência, acontece o prometido. Os
apóstolos, com Maria e algumas outras mulheres, estavam em oração no Cenáculo
quando um vento impetuoso tomou conta do lugar, e umas como que línguas de fogo
pousaram sobre eles, que logo começaram a se expressar com manifestações
carismáticas, “falando em diferentes línguas conforme o Espírito lhes concedia
que falassem.” E sendo entendidos por “pessoas de diferentes línguas e nações”
(cf. Atos 1,12- 14, Atos 2, 1ss).
Quando o povo, atônito com aquela
manifestação espiritual, pergunta a Pedro o que fazer, ele diz:
“Arrependam-se, sejam batizados em nome de Jesus para o perdão de vossos
pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo; pois a promessa
que foi feita a respeito dele é para vós, para vossos filhos e para todos
aqueles que estão distantes, e que Deus está chamando a Ele,” (cf. Atos
2, 37-39)
Cumpriu-se a promessa. Com Jesus
glorificado, o Espírito é dado para todos os que ouvem o chamado do
Senhor nosso Deus. O Pai e o Filho - como doadores - se doam a nós na Pessoa do
Espírito Santo. Ele é uma Pessoa-dom, para nós de agora em diante.
Inicia-se aí, em Pentecostes, uma possibilidade de relacionamento com Deus, no
Espírito Santo, como nunca fora possível antes. Privilégio dos tempos
messiânicos, privilégio nosso.
Agora o Espírito se doa a todos, vem para
estar em nós (“Acaso não sabeis que sois templo do Espírito?”, cf. 1Cor
3, 16), vem para estar “eternamente conosco” (cf. Jo 14, 16), como Pessoa
divina ( e não como uma coisa!), de modo não apenas natural mas,
pela graça dos sacramentos, de um modo que supera admiravelmente a nossa
natureza humana (cf. 1Cor 2, 4-5.10-14). E nosso Catecismo da Igreja
Católica nos confirma: “O Espírito Santo está em ação com o Pai e o Filho
do inicio até a consumação do Projeto da nossa Salvação. Mas é nos ‘últimos
tempos’, inaugurados pela Encarnação redentora do Filho, que Ele é revelado e dado,
reconhecido e acolhido como Pessoa.” (n.686). Buscar, pois, ter para com a
Pessoa Divina do Espírito Santo um relacionamento pessoal íntimo, é
corresponder aos dom (ao presente) que Deus faz de Si mesmo, a nós, em
Pentecostes. Há como recusar isso?!
Paz e Fogo!
Júnior Filho
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